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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Greve na UFSC



As duas primeiras semanas da greve dos técnico-administrativos da UFSC foram de crescimento das paralisações, afinal, sempre tem muita gente que fica esperando para ver como as coisas vão se comportar. Esse ano já foi possível verificar um bom fortalecimento da mobilização, uma vez que muita gente que estava em cargos da reitoria anterior agora aderiu à greve. Também se observa uma participação massiva dos novos trabalhadores, que entraram nos últimos concursos, uma gente mais jovem e cheia de gás, querendo entender o que acontece com a sua vida laboral. As assembleia são cheias, como há muito não se via.

Na segunda semana a reitoria colocou um bode na sala tentando garantir a abertura do Restaurante Universitário só com os trabalhadores terceirizados. A categoria reagiu e ocupou as instalações do RU. Também alguns grupos organizados de estudantes, ligados a grupos conservadores e de direita, com a parceria de outros estudantes isolados, entraram no RU intimidando os trabalhadores exigindo a abertura do restaurante. Foi um momento tenso, mas que acabou sendo contornado pelos grevistas. Uma vez que eles iam explicando as razões da greve, os estudantes que estavam na onda, compreenderam e saíram, enfraquecendo o grupo organizado.

Dias depois, a reitoria realizou nova reunião com o sindicato e os estudantes e se deparou com o DCE apoiando a luta dos trabalhadores. Teve de dar outra solução para sua promessa de garantir alimentação. Por outro lado, os trabalhadores decidiram dialogar com os estudantes realizando um sopão coletivo nessa segunda-feira. De qualquer forma, os fatos envolvendo os estudantes e o RU deram um gás no movimento, pois serviu para unificar ainda mais os trabalhadores.

Na semana que inicia, além do sopão conjunto, já está marcado um ato unificado com os demais trabalhadores federais públicos para quinta-feira. Amanhã, terça-feira, tem assembleia geral e os trabalhadores vão discutir o documento encaminhado pela Associação dos Trabalhadores de Nível Superior (ATENS) ao governo federal, buscando negociar isoladamente seus salários, desconhecendo a greve dos colegas. Tema que promete.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Governo tripudia trabalhadores e espera pela greve


Por Elaine Tavares  - jornalista
“Na federal é assim. Todo ano tem greve”, dizem, entre risos, alguns estudantes. É como se fosse um ritual a cumprir, e algo que nascesse da “vagabundice” dos trabalhadores públicos que não querem trabalhar. É certo que tem algum trabalhador que se comporta dessa forma, mas não é a maioria. Se fosse assim, as universidades não funcionariam e nem seriam as instituições mais importantes do país, onde se cria 90% da ciência. Algum mérito os técnico-administrativos têm de ter nisso aí, porque nenhuma pesquisa, estudo ou extensão acontece sem esses trabalhadores.
E, como é comum nas relações de trabalho, todo os anos os trabalhadores precisam ter seus salários ajustados, pelo menos no que diz respeito às perdas do período, como acontece com qualquer outra categoria. Mas, entre os trabalhadores públicos não é o que sucede. Não há data-base para eles. Os salários só se reajustam se existe luta. E olha que é lei. E, como também ocorre com qualquer outro trabalhador, os públicos igualmente comem, vestem seus filhos, gastam com saúde, educação e tudo mais. Logo, precisam recuperar as perdas e, de quebra, garantirem um aumento real.